
Pedro Viana Filho
O Fantasma do Camarin
É noite. Alguém bate à janela fria
do camarim com insistência louca.
Estou tão só e a noite é tão sombria.
Quero reagir, mas minha força é pouca!
Sinto morrer de medo e de agonia.
Quero gritar, mas minha voz é rouca.
Pela vidraça, uma figura esguia
tenta tirar de minhas cãs a touca.
Ó Senhor, que terrível pesadelo!
Será fantasma? Não consigo vê-lo!
Por que, meu Deus, este temor não passa?
E quando o dia surge reluzente,
vejo surpreso, num cipó pendente,
uma flor, a roçar minha vidraça!
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