Maria do Carmo Fleming
Solidão
XX Coletânea de Contos e Poesias do Glan 2004
A solidão cavou um buraco enorme no meu peito
Que só consigo preencher
Com a saudade dos meus mortos.
A solidão torna dócil e impotente o meu espírito,
Justifica a minha lágrima,
Tira o brilho dos meus olhos
E cultiva a minha ruga mais
Querida - aquela do canto da boca.
Boca que perdeu a memória.
Não sabe mais cantar,
Desaprendeu o riso,
E nela calaram-se todos os gestos de amor.
Agora, a minha boca
Só risca gemidos de dor no meu rosto,
E a saudade murcha e resseca
De forma irreversível
O que sobrou da minha alma.
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