
Icléia Conceição Goulart Gama
Árvore
Deus pegou em suas mãos o barro,
Com o sopro da vida criou o homem.
O homem imagem e semelhança de Deus,
Com as mãos arou a terra.
E a terra deixou que a semente a fecundasse.
Nas mãos da terra, a água brotou,
Com mãos de luz o sol clareou.
A semente germinou,
E em árvore se transformou.
A árvore cresceu,
A carícia do vento a embalou.
Dos galhos da árvore, vieram os frutos
Que as mãos do homem colheram e
Ele saciou a fome, e adormeceu em sua sombra.
Os passarinhos nos troncos fizeram os ninhos,
Multiplicaram-se as árvores e os passarinhos,
Multiplicaram-se as mãos dos homens.
A árvore fez se abrigo.
Ouvindo o choro do pequeno, de seus galhos,
Em berço se transformou.
Embalou a vida, fez-se mesa,
Para o homem comer o pão.
Serviu de calor e de teto
Embalou o doente e o ancião.
E para engrandecer a sorte,
Ao homem após a morte
De seus galhos se fez caixão.
A árvore - sempre amiga - purifica o ar.
As mãos do homem a castigam
Destroem, matam as folhas, ferem o fruto,
Deixam o fogo queimar.
As mãos do homem - mãos inimigas
Galhos das árvores - mãos amigas.
O homem esqueceu-se que veio do pó.
Mas, quando o homem da árvore se lembrar,
Não haverá jeito de com suas mãos ajuntar
As cinzas da mãe natureza e novo barro formar.
Então, Deus que um dia criou,
Não irá com seu sopro divino
Deixar o homem nascer. Ficará só.
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