GLAN - Grêmio Literário de Autores Novos

 

Patrono do GLAN

 

José de Alencar

      José Martiniano de Alencar nasceu no ano de 1829 em Mecejana, Ceará, no final do Primeiro Reinado. Seu pai, que fora padre na juventude, exerceu influência na maioridade de D.Pedro II, tendo sido senador no Período Regencial.
      José de Alencar saiu do Ceará para a corte aos 10 anos, em 1839, justamente no ano de nascimento de Machado de Assis, de quem seria amigo mais tarde. Concluídos os estudos secundários na corte, Alencar dirigiu-se para São Paulo, aos 16 anos em 1845, para cursar a Faculdade de Direito, exceto o terceiro ano que faria em Olinda. Sua permanência em São Paulo coincide com a moda da Poesia Byroniana, liderada por Álvares de Azevedo, três anos mais velho que ele.

Obras


Cinco minutos (1856)
O Guarani (1857)
Lucíola (1852)
As minas de rata (1862-65)
Diva (1864)
Iracema (1865)
O Gaúcho (1870)
A pata da gazela (1870)
O Tronco do Ipê (1871)
Til (1872)
Sonhos D’ouro (1872)
A guerra dos mascates (1873-74)
Ubirajara (1974)
Senhora (1975)
O sertanejo (1875)
Encarnação (1877)


José de Alencar é considerado ao fundador do romance nacional porque, foi o nosso primeiro romancista. Escreveu 21 romances, dos quais alguns são obras primas da literatura nacional. Produziu obras fincadas na realidade brasileira, capazes de fornecer um vasto retrato dos costumes do século XIX. Esse retrato ora é mais verdadeiro (romances urbanos e regionalistas), ora é mais imaginoso (romances indianistas e históricos). Quando é mais imaginoso, tende pra o símbolo, como ocorre em Iracema e O Guarani. Quando é mais verdadeiro, assume configurações de crítica social e análise psicológica, como se observa em Lucíola e Senhora. Nestas duas últimas obras mostrou habilidade em construir complicados caracteres femininos, antecipando modestamente as conquistas analíticas de Machado de Assis. Naquelas duas primeiras obras, levantou o símbolo do bom selvagem brasileiro, de grande importância em nossa cultura.

Estilo

José de Alencar foi um dos principais criadores de uma língua literária brasileira, no sentido de praticar ousadias estilísticas estranhas ao português falado em Portugal e próprias de nossa gente. Extraiu do Tupi muitas sugestões poéticas, como certas sonoridades expressivas, certas sonoridades visuais, algumas propriedades anomatopaicas e muitas imagens e ritmos decorrentes de sua experiência com a paisagem brasileira. Por isso, foi muito criticado pelos portugueses e também por alguns brasileiros mais conservadores na época. Atualmente, isso constitui uma das suas maiores inovações estilísticas.

Cenários de José de Alencar

Seguindo sugestões do próprio Alencar, expostas no prefácio de Senhor d’ouro a critica tem dividido seus romances a partir dos cenários em que se desenrola a ação. Assim, pode se falar em romances urbanos, romances indianistas, romances regionalistas e romances históricos.

1) Sociedade Burguesa da corte do Segundo Reinado, no chamado romance urbano. Neles o autor executa um retrato bastante real dos costumes morais e políticos do Rio de Janeiro, embora o enredo seja sempre idealista, concebido segundo a imaginação e o sentimentalismo romântico. Exemplos: Cinco minutos, Lucíola, Senhora, Encarnação.

2) Natureza brasileira, no romance indianista. As personagens (índios) são sempre transfiguradas pela imaginação. A paisagem recebe forte impregnação poética. A mata virgem do Brasil é apresentada como um recanto de maravilha e salvação. O enredo fica sempre em torno do amor e não dispensa a aventura. Alencar é o único representante desse tipo de romance mítico e poético no Brasil. Exemplos: O guarani, Iracema e Ubirajara.

3) Sociedade rural, no romance regionalista. Nesse tipo de narrativa põe-se em relevo os costumes, as crenças, o vestuário, a linguagem e a geografia das diversas regiões do país. Surge já no fim do romantismo (década de 70) como oposição ao excesso de imaginação empregada na elaboração dos romances indianistas e históricos do próprio Alencar.

4) Sociedade fidalga dos tempos coloniais, no romance histórico. Nessa modalidade de narrativa, opera-se a imaginosa reconstituição da atividade dos bandeirantes e aventureiros de nosso passado colonial. As datas e os fatos são pretextos para um enredo excessivamente movimentado. A paisagem é pictórica e grandiosa. Persiste a intriga amorosa em que o herói se opõe ao vilão. A heroína, conforme ainda os padrões românticos, é super idealizada. O bem triunfa sobre o mal. Exemplos: As minas de prata, A guerra dos mascates.

Os três Alencares

O crítico Antônio Cândido afirma que há três Alencares: O dos rapazes, o das mocinhas e o dos adultos. Essa visão original leva em conta o modo de organização da trama dos romances e os efeitos programados pelo romancista. Assim, tendo em vista a natureza da peripécia, os três Alencares seriam os seguintes:

  1. Ação heróica: voltado para a bravura e agilidade pura e física da personagem, como acontece em O Guarani, Ubirajara, As minas de prata, O sertanejo, o Gaúcho.
  2. Ação sentimental: voltada para a ternura, o amor; os heróis são dominados pela consciência do dever e da honra, como ocorre em Cinco minutos, A viuvinha, A pata da Gazela, Diva, O tronco do ipê, Sonhos d’ouro.
  3. Ação reduzida: voltada para a revelação da alma de personagens problemáticas, com ênfase na sua análise psicológica, como se percebe  em seus romances mais maduros: Lucíola, Senhora e provavelmente, em Encarnação.

 

PÁGINA PRINCIPAL